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Próstata aumentada pode ser câncer? Entenda a relação entre Hiperplasia Prostática Benigna e tumor de próstata

Esta é uma preocupação muito frequente que recebo no meu consultório em Brasília. Muitos homens, ao constatarem a próstata aumentada em exames de rotina, temem que isso signifique um diagnóstico de câncer.

Embora ambas as condições aumentem com o envelhecimento, elas são diferentes. O câncer de próstata é o tumor mais comum em homens, perdendo apenas para o câncer de pele não melanoma. A Hiperplasia Prostática Benigna, ou HPB, é o crescimento não tumoral da próstata, ou seja, benigno. Ela também ocorre com o envelhecimento, e é muito comum o achado de próstata aumentada em homens após os 50 anos. Mas é sempre fundamental distinguir o crescimento benigno da doença maligna.

O que é a próstata e por que ela aumenta?
A próstata é uma glândula situada logo abaixo da bexiga. O ponto crítico é que a uretra (o canal que transporta a urina) passa exatamente pelo meio dela, logo após sair da bexiga. Quando a próstata cresce, ela pode “apertar” esse canal, gerando dificuldade para urinar.

Fonte: https://patients.uroweb.org/condition/benign-prostate-enlargement-bpe

Esse crescimento, tecnicamente chamado de Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), inicia-se por volta dos 40 anos. Estatísticas mostram que cerca de 80% dos homens apresentarão algum grau de hiperplasia aos 70 anos. Esse processo ocorre devido ao envelhecimento natural e à influência da testosterona.

HPB não é câncer, mas eles podem coexistir

É importante deixar claro: a Hiperplasia Prostática Benigna não é câncer e não se transforma em câncer. No entanto, ambas as condições podem coexistir. Ou seja, um homem pode ter o crescimento benigno da próstata e, simultaneamente, desenvolver um tumor maligno em outra região da glândula.

Fonte: https://patients.uroweb.org/condition/benign-prostate-enlargement-bpe

Fatores de risco para a próstata aumentada (HPB):
• Idade: o principal fator de risco. Esse crescimento começa por volta dos 40 anos e é progressivo com a idade.
• Influência hormonal: a testosterona desempenha papel central. Sem a influência da testosterona, a próstata não cresceria.
• Genética: o histórico familiar é um forte indicador.
• Estilo de vida: diabetes, obesidade e síndrome metabólica estão diretamente ligados ao aumento da glândula.


Sintomas: como diferenciar?

Os sintomas da HPB e do câncer de próstata podem ser muito semelhantes. Além disso, ambas as condições podem elevar o PSA no exame de sangue. Por isso, o diagnóstico diferencial feito por um urologista experiente é indispensável.

Os principais sinais de alerta da hiperplasia são:
 • Jato urinário fraco ou intermitente (jato interrompido).
• Necessidade de fazer força para começar a urinar.
• Urgência para ir ao banheiro (com ou sem perda de urina).
• Necessidade de acordar várias vezes à noite para urinar (noctúria).

Por isso, é importante a avaliação por um médico experiente, pois, em muitos casos de tratamento da próstata aumentada, pode ser encontrado um tumor incidental.


O que é o tumor de próstata incidental?

A investigação de tumor de próstata é especialmente importante quando o paciente tem indicação cirúrgica para tratar a HPB. Isso porque, em cerca de 10% das cirurgias de próstata por hiperplasia benigna, pode-se diagnosticar um tumor incidental. Esse termo refere-se ao câncer descoberto “por acaso” na análise do tecido retirado para desobstruir a uretra, mesmo que exames prévios não o tenham detectado. Por isso, uma análise criteriosa é muito importante antes da realização da cirurgia para tratamento da HPB.


Conclusão

Ter a próstata aumentada é uma parte comum do envelhecimento masculino. Essa condição não é câncer e não favorece o aparecimento de tumores, mas não deve ser negligenciada. Se você percebeu alterações no seu fluxo urinário, é hora de investigar.

A prevenção e o acompanhamento regular são as melhores formas de garantir que um achado incidental não se torne um problema maior no futuro.


Dr. João Ricardo | Urologista em Brasília | Especialista em Cirurgia Robótica e Urologia Oncológica