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Cirurgia Robótica de Próstata após os 80 anos: é segura e indicada?

Muitas vezes, a idade cronológica é usada como uma barreira para tratamentos com intuito curativo no câncer de próstata. No entanto, a medicina moderna nos mostra que a fisiologia do paciente e a agressividade do tumor importam muito mais do que a data de nascimento na carteira de identidade. Recentemente, estudos multicêntricos têm desafiado a ideia de que homens com mais de 80 anos não devem ser operados, revelando que a cirurgia robótica pode ser, em muitos casos, a melhor escolha para preservar a autonomia e a qualidade de vida.

Tradicionalmente, homens acima dos 80 anos com câncer de próstata são direcionados quase automaticamente para tratamentos não cirúrgicos, como a radioterapia, combinada ou não com a hormonioterapia (deprivação hormonal). Embora eficazes, esses tratamentos podem trazer efeitos colaterais sistêmicos severos para o idoso, como:

  • Perda de massa muscular e fraqueza (fragilidade);
  • Aumento do risco cardiovascular;
  • Declínio cognitivo;
  • Perda da independência.

A cirurgia surge como uma alternativa para evitar o uso prolongado de hormônios que “bloqueiam” a testosterona, mantendo o vigor físico do paciente por mais tempo.

Um estudo recente acompanhou homens octogenários submetidos à prostatectomia radical robótica, e os resultados foram surpreendentes:

  • Agressividade real: cerca de 50% desses pacientes apresentavam tumores de alto grau, e 75% já tinham tumores localmente avançados. Ou seja, eram cânceres que, se não tratados, causariam sintomas graves em pouco tempo.
  • Segurança cirúrgica: a taxa de complicações foi baixa e comparável à de pacientes muito mais jovens, graças à precisão da tecnologia robótica.
  • Livre de hormônios: impressionantes 87% dos pacientes permaneceram livres da hormonioterapia após a cirurgia, evitando todos aqueles efeitos colaterais de perda de massa óssea e muscular.

É importante ser transparente: neste grupo etário, a recuperação da continência urinária pode ser um pouco mais lenta. O estudo mostrou que cerca de 60% dos pacientes ficaram totalmente livres de absorventes após um ano, e outros 15% usavam apenas um protetor de segurança.

Por outro lado, a função sexual costuma ser uma preocupação menor para esse perfil de paciente, o que muda a balança da decisão em favor do controle do câncer e da manutenção da força física.

Em Brasília, onde temos acesso às melhores plataformas robóticas, não devemos excluir um paciente do tratamento definitivo apenas pela idade. Se o homem é saudável, ativo e tem uma expectativa de vida favorável, a cirurgia robótica oferece uma chance de cura sem o peso da toxicidade dos tratamentos hormonais crônicos.

A decisão deve ser sempre individualizada, focando na biologia do tumor e nos objetivos de vida de cada paciente.

Dr. João Ricardo | Urologista em Brasília
Especialista em Cirurgia Robótica e Urologia Oncológica