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Reabilitação peniana após a cirurgia robótica para câncer de próstata: como recuperar a função erétil?

Receber o diagnóstico de câncer de próstata desperta muitas dúvidas. Entre elas, uma das mais frequentes no consultório é:

Essa preocupação é absolutamente compreensível.

A função sexual faz parte da qualidade de vida, e preservar esse aspecto é um dos principais objetivos da cirurgia robótica moderna. Felizmente, os avanços tecnológicos e o conhecimento sobre reabilitação peniana permitem oferecer perspectivas muito melhores do que há alguns anos.

Sim.

Sempre que o câncer permite, durante a prostatectomia radical robótica procuramos preservar os feixes vásculo-nervosos responsáveis pelo mecanismo da ereção.

A visão ampliada e a precisão da plataforma robótica favorecem uma dissecção mais delicada desses nervos, aumentando as chances de recuperação funcional.

Entretanto, mesmo quando a preservação é tecnicamente possível, isso não significa que a ereção retornará imediatamente.

Na maioria dos pacientes existe um período de recuperação dos nervos que pode durar vários meses.

Após a cirurgia, os nervos responsáveis pela ereção sofrem um processo chamado neuropraxia.

Apesar de permanecerem íntegros, eles ficam temporariamente “adormecidos” devido ao trauma cirúrgico e ao processo inflamatório natural da cicatrização.

Durante esse período, ocorre redução das ereções espontâneas.

Essa falta de oxigenação adequada dos corpos cavernosos pode favorecer alterações estruturais importantes, como:

  • diminuição da oxigenação dos tecidos; 
  • substituição progressiva da musculatura por fibras de colágeno; 
  • fibrose dos corpos cavernosos; 
  • perda da elasticidade necessária para uma ereção de boa qualidade. 

Por isso, atualmente entendemos que a recuperação da função erétil começa logo após a cirurgia, e não apenas quando o paciente deseja voltar à atividade sexual.

A recuperação da potência sexual varia bastante entre os pacientes.

Na literatura médica, as taxas de recuperação podem variar aproximadamente entre 50% e 90%, dependendo principalmente das características de cada homem e da definição utilizada pelos estudos.

Os principais fatores associados a melhores resultados são:

  • idade mais jovem; 
  • boa função erétil antes da cirurgia; 
  • preservação bilateral dos feixes vásculo-nervosos; 
  • ausência de diabetes; 
  • bom controle do colesterol e das doenças cardiovasculares; 
  • não fumar; 
  • realização de um programa estruturado de reabilitação peniana. 

Em outras palavras, a cirurgia é apenas uma parte do tratamento. O período pós-operatório também exerce grande influência no resultado final.

A reabilitação peniana consiste em um conjunto de estratégias destinadas a manter o fluxo sanguíneo para os corpos cavernosos enquanto os nervos se recuperam.

O objetivo não é apenas favorecer as ereções, mas preservar a saúde do tecido erétil durante esse período de recuperação, impedindo a fibrose.

Quanto melhor preservado estiver esse tecido, maiores tendem a ser as chances de recuperação funcional.

O programa é individualizado, mas geralmente envolve uma combinação de diferentes abordagens.

Os inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), como tadalafila e sildenafila, costumam ser a primeira etapa da reabilitação.

Esses medicamentos aumentam o fluxo sanguíneo para os corpos cavernosos e ajudam a manter o tecido peniano oxigenado.

Diversos estudos sugerem que o início precoce da terapia, mesmo antes da cirurgia, pode favorecer a recuperação funcional melhor do que esperar alguns meses. Embora ainda exista discussão científica sobre qual seja o melhor protocolo o uso diário mostrou-se melhor que o uso quando necessário na recuperação.

Por isso, na prática clínica, muitos especialistas optam por iniciar esse tratamento logo nas primeiras semanas após a cirurgia, quando não há contraindicações.

Quando os comprimidos não proporcionam resposta satisfatória, podemos utilizar medicamentos aplicados diretamente nos corpos cavernosos.

Esses medicamentos promovem ereções de maneira bastante eficaz e permitem manter uma boa oxigenação do tecido peniano durante a fase de recuperação nervosa, permitindo também que o paciente tenha atividade sexual.

Apesar dos excelentes resultados, alguns pacientes apresentam receio da aplicação ou dificuldade técnica para realizar o procedimento.

Com treinamento adequado, entretanto, a maioria consegue utilizar essa modalidade com segurança.

Outra alternativa é o dispositivo de vácuo.

Ele promove a entrada de sangue no pênis por meio de pressão negativa, contribuindo para preservar a oxigenação dos corpos cavernosos.

Embora seja uma ferramenta útil para muitos pacientes, sua aceitação varia, principalmente devido ao desconforto ou à adaptação ao equipamento.

Essa é uma das perguntas mais comuns.

A recuperação é gradual.

Alguns homens observam melhora nos primeiros meses, enquanto outros continuam evoluindo durante 18 a 24 meses após a cirurgia.

Por isso, é fundamental ter paciência e manter o acompanhamento durante todo esse período.

A recuperação dos nervos é lenta, e interromper precocemente a reabilitação pode reduzir as oportunidades de melhora.

É importante destacar que a cirurgia robótica representa um dos maiores avanços no tratamento do câncer de próstata.

Além do excelente controle oncológico, sua precisão permite maior preservação das estruturas responsáveis pela continência urinária e pela função sexual quando isso é oncologicamente seguro.

Entretanto, nenhum equipamento substitui a experiência do cirurgião, o planejamento individualizado e um programa adequado de recuperação no pós-operatório.

Sempre explico aos meus pacientes que o sucesso da cirurgia não é medido apenas pela retirada completa do câncer.

Também buscamos preservar qualidade de vida.

A recuperação da função erétil faz parte desse objetivo.

Por isso, conversamos sobre esse tema antes mesmo da cirurgia e iniciamos um plano individualizado de reabilitação quando indicado.

Cada paciente possui características diferentes, e o tratamento deve ser adaptado às suas necessidades, expectativas e condições clínicas.

Com acompanhamento especializado, intervenção precoce e participação ativa do paciente, é possível maximizar as chances de recuperar a função sexual e retomar uma vida plena após o tratamento do câncer de próstata.