Síndrome de JUP

O que é estenose de JUP?

JUP é uma abreviação do termo “junção uretero pélvica

(ou também piélica)” do rim. E Síndrome de JUP refere-se à obstrução, chamada de estenose, dessa junção. É uma das causas de dilatação do rim. A dificuldade no transporte de urina da pelve renal até o ureter gera dilatação do rim com potencial de prejudicar seu funcionamento.

Como ocorre normalmente?

Normalmente o rim produz urina através da filtração do sangue, removendo substâncias indesejadas ao organismo. A urina produzida segue o caminho: cálices renais, que drena para a pelve renal, que por sua drena para a bexiga através do ureter. O ureter é uma estrutura tubular, que mede cerca de 10 a 12cm nas crianças e cerca de 25cm nos adultos, cuja função é levar a urina da pelve renal até a bexiga. E isso é feito através dos movimentos peristálticos ureterais.

E o que acontece quando tem estenose de JUP?

Na síndrome de JUP o rim produz urina numa velocidade maior do que ela pode ser drenada pelo ureter. E isso leva então represamento da urina na pelve renal e nos cálices, levando a dilatação desses espaços. E essa dilatação pode aumentar a pressão no rim. E a pressão renal aumentada pode prejudicar a função deste rim.

Como se faz o diagnóstico e avaliação da estenose de JUP?

A avaliação do quadro de síndrome de JUP é realizada por exames de imagem, especialmente a tomografia de abdome, e por um exame chamado cintilografia renal. A cintilografia avalia a função do rim, a morfologia do parênquima renal e também se há ou não uma obstrução á saída de urina.

Causas

Na grande maioria das vezes a causa da síndrome de JUP é congênita, acometendo cerca de 1 a cada 1500 crianças. É resultado da ausência da camada muscular circular do ureter, deixando um seguimento ureteral aperistaltico, ou seja, incapaz de realizar a peristalse, dificultando assim a passagem de urina por essa região. Muitas vezes há também associação de vasos sanguíneos anômalos, que passam nessa região e podem piorar a obstrução.
Há também causas adquiridas, que se desenvolvem no decorrer da vida. Entre essas causas estão: cálculo renal, cicatriz de procedimento cirúrgico, problemas inflamatórios, tumores, entre outros.

Quais são os sintomas da estenose de JUP?

Muitos casos são assintomáticos e podem ser encontrados por um exame de imagem, como ultrassonografia, realizado por outro motivo. Apesar de ser um problema congênito, pode gerar sintomas em várias fases da vida. Mas o uso de ultrassonografia pré-natal tem aumentado muito o diagnóstico de hidronefrose até mesmo antes do parto. Em crianças maiores e adultos os sintomas principais são: dor abdominal ou lombar intermitente, as vezes associados a náuseas e vômitos, crises de infecções urinárias associados a dor lombar e febre, sangramento urinário, hipertensão.

Como fazer o diagnóstico de síndrome de JUP?

Os exames que permitem realizar o diagnóstico são:

  • Ultrassonografia: que muitas vezes é o primeiro exame onde se visualiza a dilatação renal,
  • Tomografia de abdome: mostra facilmente a dilatação do rim e o local da obstrução,
  • Cintilografia renal: método que utiliza substância radioativa que permite avaliar o funcionamento renal e o grau de obstrução.

Qual o tratamento para estenose de JUP?

O tratamento nem sempre é necessário, pois muitas vezes não causa sintomas nem prejuízo a função renal, podendo ser apenas acompanhado. Em alguns casos é necessário o realizar uma cirurgia. O tratamento cirúrgico está indicado quanto há: presença de sintomas, associado com perda progressiva da função renal, desenvolvimento de cálculos, infecções urinárias recorrentes ou hipertensão.

Como é realizada a cirurgia para tratamento da estenose de JUP?

A principal cirurgia do tratamento da síndrome de JUP é chamada de Pieloplastia desmembrada. Neste procedimento retira-se a parte estreitada do ureter e se refaz a junção da pelve renal com o ureter.

Antigamente essa cirurgia era realizada por incisão abdominal ou lombar. Atualmente a cirurgia para estenose de JUP é realizada por técnica minimamente invasiva, seja por laparoscopia ou por cirurgia robótica.

Nessa técnica, ao invés de grandes cortes, são realizados pequenos orifícios, por onde são introduzidas as pinças e uma ótica, e o cirurgião opera olhando para uma tela. Com isso há uma recuperação pós-operatória mais rápida e o paciente sente menos dor.